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A Revolução Cubana de 1959. Como Fidel Castro tomou o poder?

Revolução Cubana constitui-se basicamente num importante movimento armado liderado principalmente por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara em 1959. Implementando um governo de inspiração socialista em plena América Latina num contexto internacional marcado pela Guerra Fria, um período bastante conturbado e de intensas disputas entre os Estados Unidos e a União Soviética. O regime cubano sobreviveu a queda de diversos governos socialistas no Leste da Europa e persiste até os dias de hoje, causando inúmeras polêmicas e intensos debates. Mas afinal, como um grupo relativamente pequeno de rebeldes conseguiu derrubar o governo e tomar o poder em Cuba? Quais as origens dessa Revolução? Por que tanta polêmica?   




 

Antecedentes. 


 

Até o final do século XIX, Cuba resumia-se a mais uma colônia espanhola na América Latina, tendo conquistado sua independência com a ajuda dos Estados Unidos somente em 1898. Entretanto o fim da colonização não significaria exatamente uma maior independência política e econômica. A ilha de Cuba passaria quase que imediatamente das mãos da Espanha para a esfera de influência dos Estados Unidos. O símbolo máximo de tal dominação se expressaria na chamada Emenda Platt, tratado aprovado em 1901, no qual o governo cubano aceitava que os Estados Unidos interviessem livremente no país sempre que considerassem necessário. Podendo-se afirmar sem exageros que Cuba na primeira metade do século XX, reduzia-se a um mero protetorado norte americano. 


Nos anos seguintes, os investimentos de empresas americanas na ilha caribenha ampliaram-se consideravelmente, especialmente nos setores açucareiro, de transporte, serviços e turismo.  


Nesse ambiente de enorme dependência política e econômica, Cuba desenvolveu-se à sombra do imperialismo norte americano, com os governos locais sendo praticamente obrigados a atender aos interesses comerciais e econômicos dos Estados Unidos. Gerando como efeito colateral um forte sentimento de antiamericanismo que marcaria profundamente a política cubana no período.  


Em meados do século XX, o instável país caribenho era governado com mão de ferro por Fulgêncio Batista, um ditador que assumiu o poder logo após um golpe militar realizado em 1952, suspendendo liberdades e garantis individuais, censurando a imprensa e perseguindo seus principais opositores. Fulgêncio implementou um regime autoritário, marcado pela corrupção generalizada e assim como os governos anteriores, claramente subserviente aos interesses econômicos dos Estados Unidos.  


O caráter truculento da ditadura de Batista seria um dos principais responsáveis pelo surgimento de diversos grupos oposicionistas. A maioria destes grupos apresentavam forte inspiração nacionalista sendo muitas vezes marcados por um profundo sentimento de antiamericanismo. Tais movimentos visavam principalmente derrubar o regime ditatorial vigente no país e acabar com a extrema dependência de Cuba em relação aos Estados Unidos. Neste quadro, em 1953, um grupo armado formado por pouco mais de 100 revoltosos liderados por Fidel Castro tentaram a tomada do Quartel Moncada (importante arsenal de armamentos do exército cubano) mas falharam.  


Fidel Castro imaginava que um ataque contra o importante centro militar pudesse se tornar o estopim de uma revolta muito mais ampla contra o governo cubano, entretanto tal empreitada fracassou com muitos dos guerrilheiros sendo presos ou mortos. Fidel e seu irmão Raul também seriam capturados, com Fidel sendo sentenciado a 15 anos de prisão. 


Entretanto, os irmãos Castro e outros importantes líderes e presos políticos cubanos, após somente dois anos de cárcere, acabariam sendo anistiados e soltos pelo governo de Batista. Tal iniciativa futuramente acabaria custando muito caro ao governo cubano.  


Fidel e um pequeno grupo de apoiadores sairiam de Cuba, exilando-se no México. Em novembro de 1956, já em solo mexicano e após conhecer o médico argentino Ernesto “Che” Guevara, Fidel e seu irmão Raul elaboram um novo plano revolucionário, formando juntamente com outros exilados cubanos o chamado "Exército Rebelde", tendo "Che" Guevara como um de seus principais comandantes, iniciando-se assim os preparativos para uma nova tentativa de derrubar o regime de Fulgêncio Batista.  


O pequeno grupo de rebeldes composto por 82 homens chega em Cuba a bordo de uma pequena embarcação chamada Granma em 02 de dezembro de 1956. Três dias após o desembarque em solo cubano, o pequeno grupo é atacado pelo exército de Batista, com a maioria dos comandados de Fidel sendo mortos nesse ataque. Embora o número exato seja controverso, estima-se que pouco mais de vinte rebeldes tenham sobrevivido ao primeiro combate com o Exército Cubano. O pequeno grupo de sobreviventes incluía Fidel Castro, Che Guevara, Raúl Castro e Camilo Cienfuegos que resolvem se refugiar nas montanhas de Sierra Maestra. A partir daí, iniciariam uma guerra de guerrilhas contra as forças cubanas, contando com o apoio de novos membros recrutados entre camponeses e simpatizantes.  


Neste período, as forças revolucionárias de Fidel eram pouco numerosas, com um contingente muitas vezes inferior a 200 guerrilheiros, enquanto o exército cubano contava com um efetivo que oscilava entre 30 mil e 40 mil homens armados. No entanto, graças a uma exitosa estratégia de combate baseada em ataques de guerrilha e contando com importante apoio popular, especialmente entre os camponeses, foi possível derrotar o autoritário e corrupto regime de Batista. Cabe ainda ressaltar a espantosa ineficácia dos militares cubanos, que apesar de encontrarem-se em muito maior número, acabaram sendo derrotados pelas forças rebeldes e na maioria das vezes obrigados a recuar.   



A chegada ao poder dos rebeldes.



O profundo desgaste e incompetência do regime cubano bem como a eficiente estratégia de guerrilha empregada com sucesso pelos revolucionários foram as principais causas da queda da ditadura de Batista. O dia 1º de janeiro de 1959 marcaria a vitória dos rebeldes, com Fulgêncio abandonando o país em direção ao exílio na República Dominicana.  


Fidel Castro e seus revoltosos finalmente entrariam na capital Havana no dia 8 de janeiro e estabeleceriam um novo governo. A partir de 1959, começariam a ser implementadas diversas medidas no país, com o novo regime promovendo uma ampla reforma agrária e a nacionalização da exploração dos recursos naturais e de empresas estrangeiras (principalmente americanas) instaladas no país. 


Essas políticas desagradaram profundamente os Estados Unidos que se opuseram abertamente a revolução cubana, rompendo relações diplomáticas com o país e adotando diversas medidas para retaliar o novo regime. Uma das ações mais importantes adotadas pelo governo norte-americano contra Fidel foi a famosa e mal sucedida operação de Invasão da Baía dos Porcos em abril de 1961. Nesta oportunidade, dissidentes cubanos apoiados e financiados diretamente pela CIA invadiram Cuba e tentaram derrubar o novo governo, sendo derrotados e fracassando em tal empreitada. 


Embora radicais, nem Fidel Castro, nem a grande maioria de seus aliados era propriamente comunista. Inclusive, num primeiro momento, Fidel buscou apoio norte americano para derrubar o regime de Batista e tomar o poder em Cuba. Cabe ainda mencionar as diversas vezes que o próprio Fidel Castro negou ser alinhado ao socialismo. Entretanto, o novo governo cubano ao apresentar um viés claramente nacionalista era constantemente acusado de comunismo por seus principais detratores.  


Fato é que o radicalismo das primeiras medidas do novo governo cubano, bem como as constantes iniciativas dos Estados Unidos para isolar Cuba, pavimentaram o caminho que acabaria levando Fidel a aliar-se com a União Soviética, grande rival dos americanos. 


  

A Revolução Cubana e a Guerra Fria. 


 

A posição adotada pelos Estados Unidos em relação à Cuba deve ser compreendida no contexto geral da Guerra Fria, conflito político e ideológico que dividiu o mundo em dois blocos antagônicos e rivais. Com a aproximação entre o regime cubano e a União Soviética resultando em um dos momentos mais tensos entre as duas superpotências: a Crise dos Mísseis em outubro de 1962. Ao final da qual os americanos comprometeram-se perante os soviéticos a não mais tentarem invadir Cuba. 


Em 1963, os Estados Unidos impuseram um embargo comercial ao regime cubano que perdura até os dias de hoje, proibindo inclusive outros países de estabelecerem relações comerciais com Cuba. Tal restrição é utilizada pelos defensores do governo cubano como justificativa para as enormes dificuldades econômicas que o país vem enfrentando ao longo das últimas décadas.  


A revolução cubana, no contexto da guerra fria, incentivou ainda diversos movimentos políticos de inspiração socialista e comunista em toda a América Latina a partir dos anos 60. Os Estados Unidos, em contrapartida, viriam a apoiar inúmeros golpes militares e regimes autoritários na região.   


A queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética em 1991 representaram mais um duro golpe para a economia cubana. Toda a ajuda financeira recebida de outros países comunistas simplesmente desapareceu. Em 2008, Fidel Castro já bastante doente e debilitado transfere o poder para seu irmão Raul. O governo socialista cubano ainda se mantém no poder atualmente, provocando intensos e acalorados debates até os dias de hoje.  

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