Após um longo período de relativa paz e tranquilidade no continente europeu. No início do século XX, o mundo assistia com preocupação o crescimento da tensão entre as grandes potências mundiais do período. As quais se organizavam em torno de duas poderosas alianças militares opostas entre si: de um lado, os Aliados (unidos através da denominada Tríplice Entente, composta pelo Reino Unido, pela França e pelo Império Russo). Do outro lado havia a Tríplice Aliança, também chamada de Impérios Centrais, composta pela Alemanha, pelo Império Austro-húngaro e pelo decadente Império Otomano. Com o desenrolar do conflito ocorreu a entrada de outros países na guerra, como os Estados Unidos que em 1917 decidiram entrar efetivamente na Primeira Guerra Mundial ao lado da Inglaterra e da França (inclusive enviando centenas de milhares de soldados para os campos de batalha). A presença dos EUA foi decisiva para a vitória de ingleses e franceses, pois encontrou os alemães e seus aliados já bastante desgastados após 3 anos de intensos e ferozes combates.
Com a participação de mais de setenta milhões de militares em algumas das mais mortíferas batalhas da história. A Primeira Guerra Mundial teve início no dia 28 de junho de 1914 com o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria (o herdeiro do trono imperial da Áustria-Hungria) e de sua esposa, pelo jovem nacionalista sérvio Gavrilo Princip, na cidade de Sarajevo, localizada na Bósnia, resultando num ultimato do governo da Áustria-Hungria contra o Reino da Sérvia. Devido ao intricado jogo de alianças militares entre as grandes potências, em poucas semanas, praticamente todas as principais forças mundiais estavam em guerra e através de seus imensos impérios coloniais, o conflito logo se espalharia ao redor de todo o planeta. O Brasil também entrou na guerra ao lado de ingleses e franceses, sendo o único país da América do Sul a participar ativamente dos conflitos, entretanto a participação do país foi bem modesta, já que não possuía grandes recursos bélicos no período, limitando-se apenas a funções principalmente de apoio médico-hospitalar.
A Guerra de 1914 à 1918.
Os primeiros combates iniciaram-se efetivamente no mês de julho de 1914, com a guerra tendo início a partir do ataque do Império Austro-Húngaro contra a Sérvia. A Rússia, tradicional aliada dos sérvios declarou guerra aos austro-húngaros. A política de alianças já referida fez com que a Alemanha em resposta imediatamente declarasse guerra aos russos que revidaram atacando os alemães. Assim, uma a uma, as grandes potências foram arrastadas para o conflito. Com o Reino Unido e a França saindo em auxílio ao Império Russo (seu aliado por conta da Tríplice Entente) e declarando guerra à Alemanha que por sua vez não tardou em atacar e invadir a Bélgica, Luxemburgo e a França.
A Primeira Guerra Mundial pode ser entendida como um choque entre a moderna tecnologia do início do século XX e as táticas militares obsoletas do final do século XIX, acarretando um elevadíssimo número de baixas. No final de 1917, os principais exércitos, que agora contavam com milhões de homens em suas fileiras, se modernizaram rapidamente, tendo sido utilizados pela primeira vez em larga escala tanques, aviões e armas químicas em combate, numa tentativa desesperada de ambos os lados tentarem quebrar o impasse causado pela chamada guerra de trincheiras, uma das principais características dos embates travados a partir de 1914.
No mês de abril de 1915, a Alemanha, numa clara violação à Convenção de Haia, utilizou gás de cloro pela primeira vez perto da cidade belga de Ypres, matando cerca de 5 mil soldados franceses e aliados na Frente Ocidental. Vários tipos de gás logo se tornaram amplamente utilizados por ambos os lados, sendo que as armas químicas se tornaram um dos mais temidos e mais lembrados horrores da guerra. Estima-se que o uso indiscriminado de armas químicas por ambos os lados no decorrer do conflito tenha acarretado cerca de 1,3 milhão de mortes. A título de exemplo, calcula-se que até um terço das baixas americanas no conflito foi provocada por gases. Já o exército imperial russo, o mais atingido, teria apresentado cerca de quinhentos mil baixas atribuídas apenas aos terríveis ataques utilizando armas químicas durante as batalhas da Primeira Guerra Mundial.
| Equipamento de proteção contra armas químicas |
Os primeiros tanques de guerra foram desenvolvidos pelo Reino Unido e pela França, sendo utilizados efetivamente pela primeira vez em combate pelos britânicos em setembro de 1916, com a sua eficácia crescendo à medida que a guerra avançava; os aliados construíram tanques em grande número. Quanto ao uso do recém descoberto avião, este foi inicialmente utilizado para missões de reconhecimento bem como para ataques aéreos. Armas antiaéreas e aviões de combate também foram especialmente desenvolvidos para o conflito, destacando-se no período o piloto alemão Manfred von Richtofen, o lendário barão vermelho, responsável pela derrubada de dezenas de aviões inimigos, vindo a falecer em um combate aéreo poucos meses antes do final da guerra. Neste período, também foram realizados os primeiros bombardeiros estratégicos, principalmente pelos alemães, tendo sido utilizados para tal fim os primeiros Zeppelins ou dirigíveis.
| Aviões em combate na 1a. Guerra Mundial |
Entretanto tais avanços ocorreram sem melhorias correspondentes na proteção ou mobilidade dos soldados de infantaria e grande parte dos combates envolveu a chamada guerra de trincheiras, onde centenas e até milhares de soldados morriam para garantir pequenos avanços em direção às posições inimigas.
Assim, apesar dos avanços tecnológicos do período, o conflito consistiu basicamente em uma série de batalhas de atrito, com posições estáticas de ambos os lados, representadas sobretudo por um intricado emaranhado de linhas de trincheiras que pouco evoluíram entre os anos de 1914 e 1917.
Somente após uma grande ofensiva militar em 1918 ao longo da Frente Ocidental, ocorreram mudanças expressivas nas posições de combate. Com os Aliados, agora reforçados por centenas de milhares de soldados norte-americanos que neste período começaram a entrar efetivamente no conflito, forçando o recuo dos exércitos alemães após uma série de ofensivas bem sucedidas.
A Alemanha, lutando praticamente sozinha e a volta com sérios problemas políticos e econômicos, concordou com um cessar-fogo em 11 de novembro de 1918, assinando posteriormente o humilhante Tratado de Versalhes, o qual impunha injustas e pesadíssimas condições aos alemães, motivando um profundo sentimento de revanchismo.
Consequências.
Como principais consequências, a guerra provocou a morte de cerca de 13 milhões de pessoas, deixando ainda cerca de vinte milhões de feridos e mutilados. As perdas materiais também foram incalculáveis, especialmente com a destruição de cidades inteiras e de boa parte da infraestrutura industrial e de transportes nos principais países europeus envolvidos.
O mapa político da Europa seria completamente redesenhado, quatro importantes e poderosos impérios, considerados sólidos e bastante estáveis antes da guerra em 1914, simplesmente desmoronaram devido ao conflito: o império Alemão, o Austro-Húngaro, o Russo e o Otomano, marcando o surgimento de novos países especialmente no continente europeu e no Oriente Médio, aumentando ainda mais a instabilidade nessas regiões.
O conflito ainda abriu caminho para diversas transformações políticas, como revoluções em muitas das nações envolvidas (com destaque especialmente para a revolução russa de 1917). Tivemos ainda a criação da Liga das Nações em janeiro de 1919, organização precursora das Nações Unidas com o propósito de evitar a ocorrência de outro conflito dessa magnitude, entretanto tais esforços falharam.
Pode-se afirmar que os Estados Unidos foram os grandes vencedores do conflito. Apesar das mais de 116 mil baixas, o país não teve seu território invadido ou mesmo atacado durante o conflito, não tendo sua infraestrutura urbana e industrial danificada ou destruída, se tornando ainda grandes credores das principais nações europeias. Suas indústrias se desenvolveram enormemente durante o confronto, abastecendo o seu crescente mercado interno bem como os demais países envolvidos na guerra. Suas perdas humanas e materiais foram consideravelmente menores se comparadas às dos principais países europeus. Por tais fatores, o país continuaria sua rápida ascensão como principal potência mundial.
A guerra iniciou ainda um período de acelerado declínio econômico da Europa, marcado por grande instabilidade política e social favorecendo o surgimento de regimes totalitários no continente (especialmente o nazismo e o fascismo italiano) abrindo caminho para um conflito ainda maior e muito mais devastador: A segunda guerra mundial.

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