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Dia D: qual a importância do desembarque Aliado nas praias da Normandia ?

Dia D é um termo comumente utilizado para designar a operação de desembarque das tropas aliadas nas praias da Normandia (região norte da França). Ocorrendo em 6 de junho de 1944 e mobilizando milhares de soldados, aeronaves e embarcações. Retratada com frequência no cinema, o Dia D foi a maior invasão anfíbia da história e um dos principais capítulos da Segunda Guerra Mundial. Mas qual a sua real importância para a derrota da Alemanha no conflito? 






Antecedentes.



Os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial foram marcados por um início simplesmente avassalador da Alemanha, com uma série de vitórias inquestionáveis sobre seus adversários: derrotando a França de forma rápida e eficiente em pouco mais de seis semanas, conquistando praticamente todo o continente europeu, mantendo o Reino Unido acuado em seu próprio território e chegando praticamente às portas de Moscou. Entretanto em 1944, a sorte no conflito parecia ter virado definitivamente contra os alemães. Nesse período, o teatro de guerra havia se alterado radicalmente para as ambições de Adolf Hitler, com os alemães acumulando sucessivas e importantes derrotas nos últimos anos, especialmente nas Batalhas de Kursk e Stalingrado. A Wehrmacht perdeu consideravelmente sua força e as tropas alemãs perdiam terreno a cada dia, sendo empurradas de volta para a Alemanha pelo poderoso Exército Vermelho de Stalin, que gradualmente tomava a ofensiva do conflito. 


No front Ocidental a situação também não era nada animadora para Hitler e seus comandados, com as forças do Eixo sendo derrotadas no norte da África em 1942. O Eixo ainda enfrentaria em setembro de 1943 o desembarque de tropas Aliadas no sul da Itália, que avançavam rapidamente em direção à Roma.  


Neste contexto preocupante e bastante desfavorável, Hitler sabia que era essencial impedir um possível desembarque de tropas aliadas nas costas da França. Buscando dessa forma evitar uma nova e desgastante frente de batalha, podendo assim concentrar seus esforços no front oriental, numa tentativa de contra atacar e derrotar as forças do Exército Vermelho.  A estratégia de defesa do Alto Comando Alemão estava baseada na assim chamada Muralha do Atlântico, organizada e comandada pelo famoso Marechal de Campo Erwin Rommel, uma sólida barreira de fortificações defensivas criada pelos alemães nos territórios ocupados ao longo da costa do Atlântico, se estendendo da Noruega até a França, visando impedir qualquer tentativa de desembarque de tropas inimigas.  


Entretanto, ao contrário de Hitler, muitos oficiais alemães, desconfiavam seriamente da capacidade das defesas da Alemanha em vigiar uma área tão extensa e conter uma invasão inimiga. O governo alemão sabia que um ataque Aliado contra a Muralha do Atlântico provavelmente seria tentado em breve. No entanto, a inteligência alemã não conseguia identificar exatamente quando e onde esse ataque seria feito. 

Entre os Aliados, o ditador soviético Josef Stalin cobrava uma ação mais efetiva de seus principais parceiros, especialmente os Estados Unidos e a Inglaterra, para que estes lutassem de maneira mais efetiva contra as forças alemãs estacionadas no continente europeu. Com isso, Stalin pretendia abrir uma nova frente de combate, obrigando os alemães a dividir suas forças, diminuindo desta forma a pressão sobre a União Soviética.   


Tais objetivos estratégicos também eram compartilhados por americanos e ingleses, que ao planejarem a invasão da Normandia buscavam libertar a França do controle nazista, ao qual estava submetida desde 1940, e ainda aumentar a pressão sobre a Alemanha, atacada simultaneamente ao leste pela União Soviética e ao sul (na Itália) por americanos e britânicos. 


Apesar da importância, a Operação a princípio foi vista com certa desconfiança, principalmente pelos britânicos, muitos dos quais guardavam ainda na memória o fracassado desembarque realizado em Galípoli durante a Primeira Guerra Mundial. Operações anfíbias ao visarem a tomada de um território litorâneo, ocupado e defendido pelo inimigo, via de regra, são complexas e podem resultar num elevado número de baixas entre as tropas invasoras, causando uma forte reação na opinião pública.  



A Operação.



Entretanto, superadas essas objeções iniciais, o planejamento para o Dia D começou com mais de um ano de antecedência, já em 1943. Nos meses anteriores a invasão, os Aliados através da chamada “Operação Guarda Costas” se valeram de diversas manobras furtivas e de contrainformação, visando despistar seus objetivos e ludibriar os alemães, levando estes a acreditarem que os ataques iniciais ocorreriam próximos a região de Calais e não mais ao Norte, nas costas da Normandia, como de fato viria a ocorrer. O próprio Adolf Hitler ordenou a concentração de suas defesas em Calais, já que se mostrava plenamente convencido que um eventual ataque aliado ocorreria nas proximidades daquela região, o que parecia até bastante óbvio, visto que aquele importante porto encontrava-se a pouco mais de 30 quilômetros da costa inglesa, o que facilitaria uma invasão aliada.   


Em 6 de junho de 1944, após intensos preparativos e um adiamento devido a condições climáticas, tem início o assim chamado Dia D da Operação Overlord, com o desembarque de tropas sendo precedido por um intenso bombardeio aéreo e naval contra as posições defensivas alemãs. Tal bombardeio foi acompanhado do lançamento de cerca de 24 mil paraquedistas norte-americanos, britânicos e canadenses atrás das linhas inimigas, atacando a retaguarda alemã.  


Estava em curso a maior operação de ataque anfíbio da História. No total, segundo o jornalista e historiador britânico Max Hastings, quase 7.000 embarcações participaram da invasão, incluindo 1.213 navios de guerra e 4.127 embarcações de desembarque. 

 

As tropas aliadas constituíam-se numa grande força multinacional composta, dentre outros, principalmente por soldados americanos, britânicos, franceses e canadenses, começando a desembarcar nas costas da Normandia às 6:30 da manhã do dia 6 de junho.  Além dos já citados 24.000 paraquedistas, um efetivo de 132.000 homens desembarcou nas praias da Normandia, apoiados por cerca de 12.000 aeronaves aliadas e 1.200 veículos de combate alocados nas cinco praias francesas escolhidas como alvo, as quais receberam os codinomes: Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword. 


Os desembarques não seriam possíveis sem o forte apoio das forças aéreas e navais, especialmente a Royal Air Force e a Royal Navy inglesa, combinadas com a Marinha Americana. Sendo que qualquer delas isoladamente era muito maior e melhor equipada que as forças navais dos alemães. Garantindo assim uma esmagadora supremacia aérea e naval, essencial ao sucesso da operação. 



As consequências.




Em razão dos intensos combates contra os alemães, solidamente estabelecidos em fortificações defensivas próximas à praia, somente no Dia D, as forças aliadas tiveram cerca de 4 mil baixas, contando ainda mais de 9.000 feridos ou desaparecidos. 

O número exato de vítimas do lado alemão no dia D é desconhecido, com estimativas apontando entre 4.000 e 9.000 baixas.  


Calcula-se ainda que milhares de civis franceses também foram vítimas, principalmente em consequência dos bombardeios realizados pelos próprios Aliados. 

Ao final daquele dia, as forças invasoras haviam desembarcado em todas as praias, conquistando a região e estabelecendo uma importante cabeça de ponte, permitindo que os Aliados conseguissem transpor com relativa segurança o Canal da Mancha, posicionando mais de 300 mil soldados na Normandia já no final do dia seguinte à invasão.  


Existem debates em torno da real importância do Dia D, especialmente no que diz respeito a sua efetiva contribuição para a derrota alemã no conflito. O dramático desembarque nas praias da Normandia ocupa um importante espaço na narrativa pós guerra dos aliados, que obviamente destacam sua relevância, sendo o Dia D bastante exaltado em diversas obras cinematográficas por exemplo. Por outro lado, muitos autores acabam relativizando a vitória aliada, destacando o fato de que cerca de três quartos das forças armadas da Alemanha estavam empenhadas no Front Oriental, envolvidas numa batalha de vida ou morte contra o Exército Vermelho, que naquele momento, avançava como um rolo compressor em direção à Europa. Tais autores sugerem ainda que, mesmo sem o desembarque aliado na Normandia, a derrota alemã naquela etapa do conflito seria inevitável e o Dia D constituiu-se muito mais numa tentativa dos Aliados em chegar em Berlim antes de Stalin, impedindo assim o crescimento da influência soviética no continente europeu.  


Fora a polêmica histórica, o fato é que, o desembarque de centenas de milhares de soldados aliados na Normandia desequilibrou definitivamente a balança do conflito em desfavor da Alemanha. Após a derrota nas praias francesas, restou aos alemães apenas reforçar suas posições defensivas na França oferecendo uma resistência implacável ao avanço dos Aliados. Mesmo assim, após 77 dias, tropas aliadas libertariam Paris e seguiriam rumo à Berlim, alcançando a capital do Reich menos de um ano após o desembarque aliado e selando em definitivo a derrota da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. 

  

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