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A crise dos misseis em Cuba. O mundo à beira da guerra nuclear.

A Crise dos Mísseis em Cuba, ocorrida em outubro de 1962 constitui-se num grave incidente diplomático envolvendo os Estados Unidos e a União Soviética, motivada pela instalação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba. O evento, televisionado para todo o planeta, é considerado por muitos estudiosos como o momento mais tenso da Guerra Fria. Com o mundo encontrando-se na iminência de sucumbir a uma guerra nuclear de vastas proporções entre as duas superpotências.  



 

 

Antecedentes.


 

No contexto da Guerra Fria entre americanos e soviéticos, o mundo assistiu a uma intensa disputa entre os blocos capitalista e socialista. Com ambas as superpotências buscando ampliar suas zonas de influência ao redor do globo. Na América Latina, com a vitória da Revolução Cubana em 1959, os Estados Unidos perderiam um importante aliado na região, quando o novo governo cubano anunciou a implementação de um regime com forte inclinação socialista. A resposta do governo americano, visando desestabilizar Fidel Castro, consistiu no rompimento de relações diplomáticas, bem como na mal sucedida tentativa organizada pela CIA de invasão militar da Baía dos Porcos.  


Ainda neste conturbado contexto internacional, em novembro de 1961, os Estados Unidos no âmbito da OTAN instalaram quinze mísseis nucleares na Turquia. Estas armas possuíam um alcance aproximado de 2.400 km, ameaçando diretamente Moscou. 


Em resposta à tais iniciativas dos Estados Unidos, especialmente a instalação de novos mísseis na Europa, o líder soviético Nikita Kruschev decidiu concordar com a solicitação do regime de Fidel Castro, revidando e instalando ogivas nucleares em Cuba, desencorajando qualquer tentativa de invasão ao seu mais novo aliado. Um acordo seria alcançado em Moscou, durante uma reunião entre os líderes Kruschev e Fidel, com a construção de bases para lançamento de mísseis iniciando-se em solo cubano pouco tempo depois. 



A descoberta dos mísseis. 



Com o início do embargo norte americano ao novo governo cubano, os Estados Unidos começaram a vigiar o tráfego marítimo em direção à ilha caribenha e notaram um repentino aumento de circulação de embarcações com bandeira soviética na região, gerando enormes desconfianças. 


A Crise dos Mísseis teve início, de fato em 14 de outubro de 1962, quando aviões de espionagem da Força Aérea dos Estados Unidos fotografaram a região de São Cristóvão em Cuba. Com as imagens revelando a construção de bases de lançamento de mísseis, os quais poderiam ser equipados com ogivas nucleares. Sendo inclusive detectada a presença de rampas de lançamento a apenas 145 quilômetros do litoral da Flórida, com artefatos capazes de atingir a capital Washington em cerca de 15 minutos. 


Para o governo dos Estados Unidos, por óbvias razões de segurança era simplesmente inadmissível ter mísseis nucleares de uma potência rival tão próximos assim do seu território. Enquanto que para Cuba, as armas eram uma clara garantia de que não seriam novamente invadidos. Já para a União Soviética era uma clara resposta aos mísseis americanos recém instalados na Turquia, bem como uma prova de que podiam instalar armas no continente americano, numa clara demonstração de força e influência política. 


Começaria então, uma tensa disputa diplomática entre as duas superpotências nucleares. Alguns conselheiros militares do presidente americano John Kennedy propuseram inclusive planos para uma invasão à ilha caribenha ou um ataque aéreo preventivo. Entretanto, Kennedy resolve conduzir a crise de forma diplomática, buscando uma solução política e optando por desautorizar, pelo menos num primeiro momento, qualquer ataque militar contra Cuba, propondo estabelecer uma negociação direta com o então líder da União Soviética, Nikita Kruschev. 


Os Estados Unidos exigiam a remoção imediata dos mísseis nucleares soviéticos do território cubano, enquanto Moscou insistia que Washington deveria primeiro retirar seus mísseis estacionados na Turquia. O presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, deu ordens para que a Marinha americana bloqueasse totalmente a ilha de Cuba, visando impedir com a manobra a chegada de novos mísseis soviéticos. Já o líder comunista Nikita Kruschev reagiria deslocando quatro submarinos com armas nucleares para as águas cubanas. 


O ponto culminante da crise foi o dia 27 de outubro de 1962, também conhecido como “sábado negro”, quando durante as negociações, um dos aviões de espionagem americano foi abatido pelos soviéticos enquanto sobrevoava Cuba, acarretando a morte do piloto. Um confronto parecia cada vez mais próximo e as negociações diplomáticas se tornaram ainda mais complexas. A guerra parecia estar a apenas um passo. 


Ainda no dia 27 de outubro, a situação começou a complicar. Na costa cubana, 11 destroyers e um porta aviões da Marinha Americana juntamente com uma aeronave cercaram um dos submarinos B-59 da frota soviética. Os americanos não faziam ideia de que o B-59 estava equipado com armas nucleares de potência semelhante a bomba de Hiroshima, e apesar de estarem em águas internacionais, começaram a lançar sinalização de cargas de profundidade, ou seja, explosivos destinados a forçar o submarino a vir à superfície para fins de identificação. 

 

Os oficiais soviéticos presentes no submarino tinham que decidir se revidariam ou não. A maioria dos militares a bordo do B-59 entendeu o que parecia evidente: uma guerra entre as superpotências havia começado e eles estavam sendo atacados. Sem comunicação de rádio com Moscou já a alguns dias, o capitão do submarino, Valentín Savítski, mais uma vez tentou entrar em contato com o seu Comando na capital soviética, mas não conseguiu, reforçando ainda mais a suposição de que uma guerra nuclear provavelmente já estivesse em pleno curso.   


Para agravar a situação, o submarino encontrava-se com pouca energia e com baixas reservas de oxigênio, sendo necessário subir à superfície para recarregá-lo. Três oficiais que comandavam a embarcação precisavam escolher em comum acordo: ou subiriam à superfície e cumpririam as exigências americanas ou revidariam e lançariam torpedos, entre eles, um nuclear. De acordo com tripulantes, o capitão Savítski estava pronto para atacar, assim como o oficial político da tripulação Ivan Semonovich. Uma discussão aconteceu e apenas um terceiro oficial foi contra o lançamento de um artefato nuclear, o capitão Vassíli Arkhípov, que era responsável por toda a flotilha, convenceu seus colegas de que lançar um torpedo nuclear era uma decisão precipitada e muito perigosa e o melhor a fazer seria ir a superfície em segurança e tentar um novo contato com Moscou. Por sorte, horas depois, foi possível estabelecer comunicação com a sede do Comando soviético, evitando assim um conflito em larga escala. 


No dia seguinte, 28 de outubro de 1962, após treze dias de tensão, Kruschev e Kennedy chegaram a um acordo. A crise dos mísseis estava terminada, com os submarinos soviéticos recebendo ordens para deixar as águas cubanas e retornar à União Soviética. Os soviéticos se comprometeram a retirar os mísseis instalados na ilha caribenha. Em troca, os Estados Unidos se comprometeram que não tentariam invadir Cuba novamente. Os americanos ainda se comprometiam em remover os mísseis da OTAN estacionados na Turquia. 

 

Durante uma conferência realizada em 2002 e dedicada ao 40º aniversário da Crise dos Mísseis em Cuba. Vadím Orlóv, antigo oficial de inteligência da União Soviética, revelaria importantes e desconhecidos detalhes do episódio envolvendo o submarino soviético. Destacando a forma como o planeta chegou bastante próximo de uma guerra nuclear e o importante papel de Arkhípov impedindo essa catástrofe. Ainda em 2002, Robert McNamara, Secretário de Defesa dos Estados Unidos no período da Crise dos Mísseis, afirmaria que o mundo "chegou muito perto" da guerra nuclear, "mais perto do que sabíamos".  


Arkhípov não receberia qualquer homenagem ou reconhecimento oficial após a crise dos mísseis. Pelo contrário, sua história permaneceria secreta até 2002. Arkhípov continuaria sua carreira na Marinha alcançando o posto de vice-almirante em 1981. Após a aposentadoria, viveu discretamente com sua família na região de Moscou, falecendo em 1998. 



Conclusão. 



 

Terminada a Crise dos Mísseis, as intensas negociações entre os Estados Unidos e a União Soviética demonstraram a importância do estabelecimento de uma linha de comunicação rápida e direta entre Washington e Moscou. Vários acordos diplomáticos reduziriam drasticamente as tensões EUA-União Soviética durante os anos seguintes.


Em 1963, as superpotências concordaram com a proibição de testes envolvendo armas nucleares. Em 1968, tal acordo foi convertido no importante Tratado de Não Proliferação de Armas. Apesar da crise dos mísseis ter se encerrado de forma pacífica entre EUA e a União Soviética, Cuba sofreria um bloqueio comercial, financeiro e econômico por parte do governo norte-americano que se estende até os dias de hoje. 


 

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