A Batalha de Stalingrado foi simplesmente a maior e mais sangrenta da história das guerras em todos os tempos. Considerado por muitos estudiosos como o mais importante e decisivo confronto da Segunda Guerra Mundial, sendo travado às margens do Rio Volga entre os exércitos da Alemanha Nazista e da União Soviética e marcando toda a história do século XX.
| Soldados soviéticos em Stalingrado |
Antecedentes.
A batalha de Stalingrado foi um importante desdobramento da Operação Barbarossa, a impressionante invasão da União Soviética iniciada em junho de 1941 pelas forças do Eixo, compostas pelo incrível efetivo de quase 4 milhões de soldados.
Conforme o plano original, a Operação Barbarossa visava um rápido avanço alemão com a conquista de vastas porções do território da União Soviética, tudo ocorrendo de maneira fulminante, nos moldes do que já havia acontecido na França, derrotada e ocupada em apenas seis semanas de combates em 1940.
| Operação Barbarossa. |
No entanto, com o decorrer do conflito, o rápido avanço inicial gradualmente transformou-se em um avanço lento e bastante penoso devido a obstinada resistência soviética e aos rigores do inverno russo.
Após a importante derrota na Batalha de Moscou no inverno de 1941, quando tropas alemãs foram derrotadas praticamente às portas da capital soviética, novos planos foram apresentados pelo Alto-Comando alemão para o lançamento de uma segunda ofensiva contra a cidade, sendo todos rejeitados por Hitler.
Ao invés de tentar uma cartada decisiva contra Moscou, conforme proposto por seus conselheiros militares, Hitler, em meados de 1942, volta seus olhos para Stalingrado (cidade que levava o nome de seu principal inimigo) e que a partir deste momento se tornaria seu principal objetivo. A cidade era um importante parque industrial da União Soviética, localizada às margens do Rio Volga, além de ser a principal porta de entrada para a região do Cáucaso no sul da Rússia, riquíssima em petróleo, matéria-prima fundamental para o esforço de guerra alemão, envolvido num conflito que se apresentava muito mais longo do que o inicialmente planejado.
O ataque alemão.
Neste contexto, tem início a denominada Operação Azul, uma gigantesca ofensiva alemã em direção ao Cáucaso, a fim de capturar os importantes poços de petróleo ali situados. Com os alemães empregando as táticas da chamada Blitzkrieg ou guerra-relâmpago, muito eficientes nos grandes campos abertos da Rússia, mas que viriam a se mostrar pouco úteis numa guerra urbana a ser travada nas ruínas de Stalingrado.
| Divisões Panzer avançando em solo russo |
A ofensiva alemã era apoiada por tropas auxiliares do Eixo, compostas basicamente por forças da Romênia, Hungria, Itália e Croácia com um nível de equipamento, qualidade e treinamento bastante inferior às tropas do exército alemão. O ataque teve início em 28 de junho de 1942 e após cerca de três meses de combates ferozes, com um elevadíssimo número de baixas em ambos os lados, os alemães finalmente conseguiram atingir as margens do rio Volga, capturando aproximadamente 90% da cidade de Stalingrado, a qual se encontrava praticamente reduzida a escombros após intensos combates e bombardeios. A ofensiva alemã só foi detida graças à obstinada resistência soviética dentro da cidade somada às péssimas condições climáticas na região.
Devido ao elevado número de baixas, os comandos alemães haviam solicitado o apoio de novas tropas e mais suprimentos a seus quartéis-generais. Entretanto tais pedidos de reforços foram ignorados por Hitler.
Neste quadro, o Alto Comando soviético sabia que as forças alemãs não estavam em condições para empreender uma nova ofensiva durante o inverno, apresentando sérias dificuldades de abastecimento e extremamente vulneráveis nos seus flancos e na sua retaguarda. Assim, visando explorar esta fraqueza momentânea do inimigo, os soviéticos iniciariam o planejamento da denominada Operação Urano, uma poderosa contraofensiva militar.
Conforme já referido, as forças de ocupação alemã na região contavam com o auxílio de tropas auxiliares compostas sobretudo por húngaros, italianos e romenos que consistiam em sua grande maioria de unidades esparsas, mal equipadas e inexperientes encarregadas sobretudo de proteger a retaguarda e os flancos das tropas alemãs enquanto estas avançavam e ocupavam a cidade de Stalingrado. Assim, o plano soviético consistia basicamente em manter o 6o. Exército alemão ocupado e lutando dentro de Stalingrado e então atacar de surpresa e com todas as forças os flancos guarnecidos por tropas auxiliares do Eixo, cercando os alemães por completo dentro da cidade.
Durante o outono, os generais soviéticos Aleksandr Vasilievsky e Georgy Jukov, posicionaram enormes efetivos militares nas regiões ao norte e ao sul da cidade e no dia 19 de novembro, o Alto Comando Militar soviético finalmente colocou em execução a chamada "Operação Urano". Com o Exército Vermelho mobilizando um impressionante efetivo de cerca de 1 100 000 soldados (a maioria deles composta pelo reforço de novas tropas, mais descansadas e melhor equipadas, vindas do interior da União Soviética), contando ainda com farto material bélico representado por 804 tanques, 13 400 peças de artilharia e mais de mil aeronaves.
Com tal superioridade e poder de fogo, o rolo compressor soviético dividiu-se em duas poderosas frentes, atacando o 3º Exército romeno, responsável por guarnecer o flanco norte do exército alemão. Mal equipadas, dispersas e em menor número, as tropas romenas acabaram sendo simplesmente destroçadas pelo Exército Vermelho.
No dia seguinte, os soviéticos lançariam um outro ataque, desta vez ao sul da cidade, contra as forças auxiliares do Eixo, compostas em sua maioria apenas de tropas de infantaria, as quais seriam totalmente aniquiladas. Atacando de forma rápida e coordenada, ao sul e ao norte, as forças soviéticas se movimentaram rapidamente em forma de pinça e dois dias depois completaram o cerco em volta de Stalingrado. O 6° Exército alemão e as demais tropas do Eixo em torno da cidade, totalizando aproximadamente 230 mil homens estavam completamente encurralados. O Exército Vermelho prontamente estabeleceu duas linhas de defesa, uma interna contra qualquer tentativa de fuga das tropas inimigas aprisionadas e outra externa, contra prováveis ofensivas vindas de outras regiões ainda nas mãos dos alemães.
Em discurso poucos meses antes, um confiante Adolf Hitler havia declarado que jamais abandonaria Stalingrado. Com a notícia do cerco, alguns dos principais comandantes do Exército Alemão o pressionaram para que este autorizasse uma retirada imediata das tropas para o oeste, mas o ditador alemão proibiu tal manobra, preferindo seguir os conselhos do comandante da Luftwaffe, Hermann Goering, que assegurava que Stalingrado poderia ser abastecida através de uma ponte aérea que permitiria ao 6o. Exército alemão continuar lutando até que reforços pudessem vir em seu auxílio.
| Stalin e Hitler: protagonistas da batalha de Stalingrado |
Entretanto tal estratégia simplesmente fracassou devido as péssimas condições do tempo, bem como aos incessantes ataques da artilharia antiaérea, além da supremacia aérea soviética na região. Os alemães, completamente cercados e incessantemente atacados pelos inimigos, rapidamente começaram a ficar sem combustível, munição e alimentos, vindo a sofrer pesadíssimas baixas em meio ao rigoroso inverno russo.
Por ironia, as tropas alemãs que por meses lutaram para tomar Stalingrado se viram presos numa armadilha dos soviéticos e agora lutavam desesperadamente para romper o cerco do Exército Vermelho e saírem da cidade. Finalmente, após intensos combates e sem melhores alternativas, os últimos remanescentes do outrora poderoso 6o. exército alemão renderam-se em 2 de fevereiro. Com 91 mil homens esfomeados, doentes e exaustos sendo feitos prisioneiros, entre eles 22 generais.
Após a rendição, os soldados do Eixo foram mandados para campos de trabalho forçado espalhados por toda a União Soviética, sendo que apenas 5 mil dos 91 mil prisioneiros de guerra alemães em Stalingrado sobreviveram ao cativeiro com alguns deles retornando para a Alemanha somente em 1955, dez anos após o final da guerra. Já os oficiais foram levados a Moscou e exibidos como troféus de guerra por Stalin, dentre estes destaca-se o recém promovido Marechal de Campo Friedrich Paulus, principal comandante do derrotado 6o. Exército alemão que lutava no Sul da Rússia.
A opinião pública alemã somente foi oficialmente informada da derrota no final de janeiro de 1943. Stalingrado não havia sido o primeiro revés dos alemães durante a guerra, mas a sua enorme escala não tinha qualquer paralelo até então.
A Batalha durou 199 dias com estimativas apontando para cerca de 2 milhões de indivíduos mortos, entre soldados e civis de ambos os lados. Sendo marcada por intensos e ferozes combates, além de inúmeras reviravoltas. A título de exemplo, a estação ferroviária da cidade, local estratégico e palco inúmeros confrontos, mudou de mãos quinze vezes durante o conflito.
Nos anos 1950, um colossal monumento chamado Mãe Pátria, foi erguido na principal colina da cidade para homenagear as vítimas da guerra no local. Após a batalha de Stalingrado, o exército alemão não venceria mais nenhum grande confronto em solo soviético ou europeu. O outrora poderoso 6º Exército da Alemanha foi totalmente dizimado com o próprio Hitler, num discurso em 9 de novembro de 1944 culpando a derrota em Stalingrado pelo fim iminente da Alemanha.
| Monumento Mãe Pátria |
A Batalha de Stalingrado mudaria definitivamente os rumos do conflito e colocaria os alemães numa posição meramente defensiva. Após esse episódio, os soviéticos organizariam uma poderosa ofensiva que culminaria na tomada de Berlim em 1945 e na derrota definitiva da Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial.

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