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A Batalha da França: como os alemães derrotaram um potência mundial em apenas 46 dias?

Batalha da França constitui-se num importante episódio que marcou a história da Segunda Guerra Mundial. Culminando numa espetacular derrota militar dos franceses após apenas 46 dias de combates, com a velocidade do avanço alemão surpreendendo todo o mundo. A invasão e a rápida conquista da França pelas tropas da Alemanha Nazista em 1940 são consideradas por muitos estudiosos como um dos grandes feitos militares do século XX. Entretanto como explicar a fulminante derrota de uma potência mundial como a França frente ao invasor num espaço tão curto de tempo? 


Tropas alemãs vitoriosas desfilando na cidade de Paris ocupada pelos nazistas


Logo após a chegada ao poder dos nazistas tem início um intenso processo de rearmamento da Alemanha com o consequente expansionismo do país na década de 1930. Após a anexação da Áustria em 1938 e da vizinha Tchecoslováquia em 1939, Hitler sedento por novas conquistas volta seus olhos desta vez para a Polônia, colocando em xeque a política de apaziguamento conduzida tanto pelo Reino Unido quanto pela França no período. Com os dois países fazendo diversas concessões aos nazistas e buscando ao máximo evitar um novo conflito com os alemães. Entretanto, o expansionismo alemão parecia não ter limites, com a Polônia sendo invadida em 1o de setembro de 1939, levando a França e o Reino Unido a declararem guerra à Alemanha, iniciando assim a Segunda Guerra Mundial. 




Expansão da Alemanha Nazista nos anos 30.



Apesar da declaração formal de guerra, nos sete meses seguintes, entre setembro de 1939 e abril de 1940, efetivamente não ocorreu nenhum combate, exceto algumas incursões aéreas de reconhecimento. Curiosamente, tal período ficaria conhecido historicamente como "Guerra de Mentira". Ingleses e franceses a todo custo pretendiam evitar um confronto com a Alemanha e acreditavam que a simples ameaça de guerra seria suficiente para gerar receio e impor um claro limite às ambições territoriais dos alemães, evitando uma nova guerra na Europa.  


Mas por detrás da aparente tranquilidade, Hitler, logo após a rápida conquista da Polônia, iniciou a preparação de um plano de invasão da Europa Ocidental. Com a França e a Inglaterra também iniciando preparativos visando conter um possível ataque alemão. A Estratégia de defesa francesa consistia basicamente na famosa Linha Maginot, uma elaborada barreira de fortificações construídas entre 1930 e 1936, contando com uma extensão de cerca de 400 quilômetros, cobrindo toda a fronteira entre a Alemanha e a França, buscando assim impedir uma invasão germânica. Contudo, a linha Maginot foi concebida baseando-se ainda nas ultrapassadas teorias militares da Primeira Guerra Mundial que além de não cobrirem o norte da França, ignoravam a moderna aviação, que poderia facilmente bombardeá-la, bem como o transporte aéreo de tropas, que poderiam superá-la facilmente através do uso de paraquedistas. Os insistentes pedidos do general Charles De Gaulle em 1935 em favor do desenvolvimento de divisões blindadas para assegurar a defesa do território não coberto pela linha Maginot faziam todo sentido, mas não foram ouvidos pelo governo francês. 




Fortificação da Linha Maginot



A França poderia contar ainda com o importante auxílio da Força Expedicionária Britânica, organizada em 1940 e que contava com cerca de 316 mil homens, bem treinados e equipados. Após meses de preparativos, enquanto os aliados esperavam um ataque direto alemão contra o território francês. Hitler, em abril de 1940, surpreende a todos e direciona seus exércitos rumo ao norte, ocupando a Noruega e a Dinamarca com franceses e britânicos enviando tropas para impedir esse ataque, mas fracassando. 


Com a campanha escandinava vitoriosa e rapidamente concluída, os alemães agora voltavam seus exércitos para um ataque aos Países Baixos e a Bélgica, que até aquele momento, mantinham neutralidade no conflito. O ataque alemão inicia-se na madrugada do dia 10 maio de 1940 com a invasão da Holanda que cairia após somente cinco dias de combate. O ataque alemão aos Países Baixos e à Bélgica propiciou aos exércitos de Hitler simplesmente contornar a Linha Maginot, principal estratégia de defesa da França, que se mostraria totalmente inútil no conflito.  


Uma rápida derrota da rival França era de vital importância para os planos de Hitler. O líder alemão acreditava que uma vitória sobre os franceses levaria ao isolamento do Reino Unido, ocasionando sua rendição imediata ou até mesmo abrir caminho para uma possível invasão e conquista das Ilhas Britânicas. Por fim, uma rápida vitória na frente ocidental poderia permitir a Hitler concentrar seus esforços naquele que sempre foi o seu principal objetivo: a invasão da União Soviética.  


Enquanto isso, a estratégia francesa consistia em evitar uma invasão, travando uma luta contra a Alemanha fora de seu território, lutando sobretudo na Bélgica. O propósito era não repetir um conflito baseado numa guerra de trincheiras como a Primeira Guerra Mundial. Já os planos alemães visavam exatamente o contrário, avançar rapidamente dentro do território francês e conquistar a capital Paris o mais rapidamente possível. 


Neste contexto, as divisões blindadas Panzer da Alemanha atravessaram rapidamente a região florestal das Ardenas no norte francês, contando com o fato de que estes não esperavam um ataque nesta região marcada pela presença de densas florestas. Esse surpreendente ataque pegou a defesa francesa totalmente desprevenida. Era a posição mais enfraquecida do exército francês e os Aliados foram facilmente derrotados, sendo obrigados a recuar de forma desorganizada, com a Força Expedicionária Britânica sendo completamente cercada em Dunquerque.  




As temidas divisões Panzer alemãs invadindo o território francês




Avançando rapidamente, os alemães conseguiram isolar mais de 300 mil soldados aliados e para evitar um completo e iminente desastre, os britânicos desesperadamente organizaram a Operação Dínamo, também conhecida como Retirada de Dunquerque, visando resgatar desesperadamente seus soldados encurralados pelos alemães em solo francês. Tal evacuação só foi possível porque Hitler diminuiu seu avanço em direção ao Norte, subestimando a capacidade dos britânicos em socorrer suas tropas. O ditador alemão ordenou que suas forças ao invés de rapidamente capturar os ingleses continuassem seu rápido avanço pela França em direção a seu alvo principal: Paris. 


Após um curto período de tempo, os alemães finalmente tomaram a capital francesa no dia 14 de junho de 1940, encontrando a cidade praticamente abandonada pela população local e com o governo tendo sido transferido às pressas para Bordeaux. A tomada de Paris por tropas alemãs foi fartamente documentada em fotografias retratando a completa desolação de sua população frente a ocupação alemã. 




Parisienses assistem desolados os invasores alemães desfilando tropas em Paris

 


Em 17 de junho, o Marechal Pétain anunciou publicamente que a França iria propor um armistício, com a rendição francesa sendo oficializada em 22 de junho de 1940 no mesmo trem que a Alemanha, em 1918, ao final da Primeira Guerra Mundial, fora forçada a se render. Para o invasor alemão, a campanha foi uma vitória espetacular. A título de exemplo, para ilustrar a eficácia das tropas alemãs, apesar de ambos os lados apresentarem efetivos equivalentes em números, com alemães e franceses contando com cerca de 3 milhões de homens em seus exércitos, os invasores alemães dispondo de menos armamento, perderam cerca de 30 mil soldados durante a invasão, enquanto os franceses melhor equipados perderam 360 mil combatentes, doze vezes mais que os alemães. Entretanto, o que explicaria a surpreendente e até certo ponto humilhante derrota francesa? 


Ao contrário do que se possa imaginar a França era considerada a maior potência militar da Europa Ocidental contando com o mais profissional e bem equipado exército da região. Mesmo sem contar o reforço de mais de 300 mil soldados britânicos, somente as forças francesas, conforme referido, contavam em suas fileiras com cerca de 3 milhões de homens armados (número praticamente igual ao efetivo da Alemanha). Em termos de equipamento bélico, os franceses contavam com quase 14 mil peças de artilharia (quase o dobro dos alemães) além de quase 3400 tanques, melhores, maiores e mais modernos, do que os cerca de 2500 tanques alemães. Os alemães só levavam vantagem nos céus, com a Luftwaffe dispondo de cerca de 5500 aviões contra aproximadamente 3000 aeronaves francesas.  

  

Segundo historiadores e especialistas militares, a surpreendente vitória alemã se deve a uma revolucionária estratégia de guerra, a chamada Blitzkrieg ou guerra-relâmpago, uma tática militar inovadora desenvolvida e aperfeiçoada na década de 1930 pelo brilhante oficial alemão Heinz Wilhelm Guderian, que permitiria a Alemanha vencer e dominar quase toda Europa nos anos seguintes. 


Tal estratégia consistia basicamente em ataques maciços e coordenados de forças blindadas móveis (as famosas divisões Panzer) em um ponto concentrado das linhas adversárias. O objetivo era abrir uma brecha na defesa inimiga e avançar rapidamente por ela. Tais ataques eram velozes e efetuados de surpresa evitando que as forças inimigas tivessem tempo de organizar sua defesa. Os adversários quando encontrados eram rapidamente cercados, tendo suas comunicações imediatamente interrompidas, impossibilitando a transmissão de ordens. Isolados e sem comando eram facilmente destruídos posteriormente pelas forças de infantaria que ocupavam a retaguarda enquanto as divisões blindadas, mais velozes, seguiam na frente como pontas de lança e continuavam o avanço. As tropas de Hitler ainda faziam largo uso de metanfetaminas, drogas estimulantes que diminuíam a necessidade de sono e de descanso dos soldados, possibilitando um avanço ainda mais rápido e constante dos alemães. 


Heinz Guderian ainda inovou na comunicação entre os blindados, instalando de forma pioneira redes radiofônicas nas divisões de tanques alemãs, conhecidas como Panzer, aumentado a eficácia, troca de informações e coordenação entre suas divisões blindadas.  



General Heinz Guderian: idealizador da Blitzkrieg





A Alemanha, em grande parte devido a moderna e inovadora tática de Blitzkrieg conseguiu derrotar com notável eficiência e rapidez os exércitos aliados durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Tanto a campanha da Polónia, quanto a da França duraram pouco mais de um mês. Os resultados foram avassaladores: a Polônia teve o seu exército aniquilado e perdeu a sua independência; enquanto os ingleses assistiam a humilhante retirada de Dunquerque e a França viu seu território ser ocupado com relativa facilidade. 


A derrota francesa levou ao surgimento do governo de Vichy, um regime de inspiração fascista que colaborou diretamente com os alemães no decorrer do conflito. A maior parte do território francês permaneceu ocupado por tropas alemãs durante a guerra. Formando-se um governo de resistência no exterior liderado por Charles de Gaulle. Após a rápida vitória na França, os alemães voltaram sua impressionante máquina de guerra contra o Reino Unido, realizando intensos ataques aéreos contra o país, especialmente em Londres. Tendo início a Batalha da Inglaterra.




General Charles de Gaulle, líder do governo francês no exílio





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